A História do Amaranto: O Superalimento Esquecido que é Melhor do que o Milho
Durante milénios, o amaranto sustentou civilizações antigas em todo o continente americano.
Rico em proteínas, adaptável à seca e considerado sagrado, este grão notável foi outrora mais importante do que o milho.
Hoje, porém, quase ninguém o cultiva. No vídeo “This Native Supercrop Is WAY Better Than Corn And No One Grows It Anymore!”, Kevin Espiritu, do canal Epic Gardening, explora as razões pelas quais o amaranto desapareceu e porque é que merece regressar às nossas hortas.
O que é o Amaranto?
O amaranto é um grão antigo e também uma hortaliça de folha nativo das Américas.
Era cultivado milhares de anos antes do milho moderno, especialmente pelos Astecas, Maias e Incas. Conhecido como huautli na língua náuatle, o amaranto era simultaneamente alimento e símbolo sagrado de vida.
Os Astecas usavam as suas sementes em rituais, moldando-as em oferendas cerimoniais. Quando os colonizadores espanhóis chegaram, consideraram esses rituais pagãos e, no século XVI, proibiram o cultivo do amaranto. Essa decisão eliminou praticamente uma das culturas mais sustentáveis do continente.
Porque o Amaranto é um Verdadeiro Superalimento
A resistência e o valor nutricional do amaranto tornam-no único entre os grãos e as hortaliças.
Benefícios nutricionais
• Rico em proteína: até 16%, rivalizando com a quinoa e o dobro do milho.
• Aminoácidos completos: contém lisina, um aminoácido essencial ausente na maioria dos cereais.
• Fonte de minerais: rico em cálcio, ferro, magnésio e fibra.
• Sem glúten: ideal para dietas alternativas e farinhas nutritivas.
Vantagens agrícolas
• Cresce bem em solos pobres e climas quentes.
• É naturalmente resistente à seca e a pragas.
• Pode auto-semear-se e regenerar anualmente.
Todas as partes da planta são comestíveis: as folhas podem ser cozinhadas como espinafres e as pequenas sementes podem ser tostadas, estaladas como pipocas ou moídas em farinha.
Porque Deixámos de Cultivar Amaranto
O desaparecimento do amaranto não se deveu à sua qualidade, mas sim ao poder e à política.
Após a conquista espanhola, as autoridades coloniais destruíram os campos de amaranto e proibiram o seu cultivo devido às ligações religiosas. Séculos mais tarde, a ascensão da agricultura industrial favoreceu as monoculturas de milho, mais fáceis de mecanizar e de subsidiar.
Como explica Kevin, no vídeo:
“O milho tornou-se dominante não por ser melhor, mas porque era mais fácil de controlar e apoiar economicamente.”
Esta mudança afastou culturas indígenas como o amaranto, apagando séculos de conhecimento agrícola.
O Regresso de um Grão Ancestral
Hoje, o amaranto está a regressar discretamente, das hortas caseiras às quintas experimentais.
• Os horticultores apreciam as cores vermelhas, douradas e roxas que embelezam qualquer jardim.
• Os agricultores valorizam a sua resistência à seca.
• Os nutricionistas destacam o seu perfil proteico completo e sem glúten.
• As comunidades indígenas estão a recuperá-lo como parte da sua herança cultural.
A versatilidade do amaranto faz dele uma ponte entre a agricultura tradicional e a sustentabilidade moderna.
Porque o Amaranto é Importante Hoje
Recuperar o amaranto vai muito além da nostalgia, é um passo em direção a sistemas alimentares resilientes, diversificados e éticos.
Cultivar amaranto ajuda-nos a:
• Reforçar o conhecimento agrícola indígena.
• Diversificar culturas e melhorar a biodiversidade e a saúde do solo.
• Reduzir a dependência das monoculturas intensivas em recursos.
• Fortalecer a segurança alimentar das comunidades locais.
Perante as alterações climáticas, o amaranto oferece um modelo de agricultura regenerativa e adaptável ao futuro.
Como Cultivar Amaranto
O amaranto é fácil de cultivar, mesmo para principiantes.
1. Escolhe um local soalheiro e com solo bem drenado.
2. Semeia diretamente na primavera, após a última geada.
3. Desbasta as plantas para cerca de 25–30 cm de distância.
4. Colhe as folhas jovens para saladas ou pratos cozinhados.
5. Recolhe as sementes quando as flores estiverem secas e castanhas.
Existem muitas variedades – como Love Lies Bleeding ou Golden Giant – que são simultaneamente comestíveis e ornamentais, acrescentando cor e nutrição à horta.
Um Legado Vivo
A história do amaranto é uma história de resiliência e renovação.
Quase apagado, está agora a ser redescoberto por horticultores, cientistas e guardiões de sementes indígenas em todo o mundo.
Como diz Kevin, no vídeo:
“Ao trazer de volta culturas como o amaranto para as nossas hortas, não estamos apenas a cultivar alimentos — estamos a cultivar resiliência.”
Considerações Finais
A história do amaranto ensina-nos que a inovação nem sempre significa criar algo novo. Às vezes, significa recordar o que já funcionava há milhares de anos. Ao recuperar este grão ancestral, melhoramos não só a nossa alimentação e os nossos solos, mas também homenageamos o conhecimento das civilizações que o cultivaram antes de nós.

(Amaranto no Vale Ondula)

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